O segundo turno de 2026 não é apenas uma disputa entre dois candidatos. É um teste de consciência para um país que reclama dos seus problemas, mas muitas vezes insiste em entregar poder a quem promete soluções fáceis, alimenta conflitos e transforma a política em guerra permanente.
O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 deveria provocar uma reflexão profunda e não apenas comemorações ou lamentações de torcidas políticas.
Flávio Bolsonaro terminou na liderança, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva alcançou 45,16%. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Mas existe um número que talvez seja ainda mais perturbador: 33,4 milhões de brasileiros não compareceram às urnas. A abstenção chegou a 21,08%, a maior registrada desde 1998.
E é justamente aí que começa a grande discussão.
DE QUE O ELEITOR ESTÁ CANSADO?
O brasileiro reclama do preço dos alimentos, da violência, da corrupção, do desemprego, dos serviços públicos precários, dos políticos que prometem e não cumprem.
Reclama dos escândalos.
Reclama da impunidade.
Reclama da mentira.
Reclama dos privilégios.
Reclama da falta de vergonha na política.
Mas existe uma pergunta que precisa ser feita com toda a dureza necessária:
quem coloca os políticos no poder?
Não são os jornalistas.
Não são os comentaristas.
Não são as redes sociais.
São os eleitores.
E democracia significa também assumir responsabilidade pelas escolhas feitas diante da urna.
Não se pode passar quatro anos dizendo que “político não presta” e, no domingo da eleição, votar novamente sem investigar passado, patrimônio, alianças, propostas, comportamento e coerência.
Não se pode exigir um país melhor escolhendo candidatos apenas porque gritam mais alto, atacam mais o adversário ou prometem soluções mágicas.
O PROBLEMA NÃO É O ELEITOR SER DE DIREITA OU DE ESQUERDA.
O problema é quando a ideologia vira autorização para perdoar qualquer coisa.
Um político não se torna honesto porque pertence ao meu grupo.
Uma mentira não vira verdade porque foi contada pelo meu candidato.
Uma suspeita não desaparece porque o acusado usa a bandeira que eu gosto.
Corrupção não tem partido.
Desvio de dinheiro público não tem ideologia.
Crime não fica aceitável porque o criminoso é politicamente conveniente.
É preciso acabar com essa doença brasileira de julgar o adversário com rigor absoluto e o próprio grupo com indulgência total.
Isso não é consciência política. É fanatismo.
A ABSTENÇÃO TAMBÉM FALA.
Mais de 33 milhões de eleitores não foram às urnas no primeiro turno.
Parte dessas pessoas pode estar decepcionada com a política. Outra parte pode ter dificuldades concretas para votar. Há diferentes razões para a ausência.
Mas, para quem simplesmente desistiu por descrença, existe um alerta:
a cadeira que você deixa vazia será ocupada por alguém escolhido por quem compareceu.
Não votar não significa ficar fora da política.
Significa deixar que outros decidam.
E, em uma eleição apertada, milhões de ausentes podem representar uma diferença histórica.
O SEGUNDO TURNO SERÁ A HORA DA CONSCIÊNCIA.
Agora não existe mais espaço para acomodação.
O segundo turno precisa ser encarado como uma oportunidade para o eleitor pesquisar, comparar e cobrar.
Quem votou em Lula precisa sair da acomodação.
Quem rejeita o bolsonarismo precisa sair da acomodação.
Quem se absteve precisa compreender que sua ausência também produz consequência.
E quem votou em Flávio Bolsonaro também precisa ser respeitado mas precisa ser igualmente cobrado a justificar sua escolha pelos mesmos critérios que cobra do adversário.
Democracia não é impedir o outro de votar. Democracia é permitir que todos votem e exigir que todos respondam pelas escolhas que fazem.
O BRASIL NÃO PODE SER GOVERNADO PELO ÓDIO.
O país já sofreu demais com a transformação da política em uma batalha permanente entre brasileiros.
Famílias se dividem.
Amigos deixam de conversar.
Igrejas entram em disputas partidárias.
Redes sociais viram tribunais.
E a política passa a funcionar como uma religião: o candidato vira líder absoluto e qualquer crítica é tratada como traição.
Isso é extremamente perigoso.
O Brasil precisa de eleitores que pensem.
Que investiguem.
Que desconfiem.
Que perguntem.
Que cobrem.
Que não vendam o voto.
Que não troquem consciência por promessa.
Que não transformem político em ídolo.
NÃO É HORA DE TORCIDA. É HORA DE RESPONSABILIDADE.
O segundo turno não deveria ser uma guerra entre “nós” e “eles”.
Deveria ser uma comparação séria entre dois projetos de país.
Quem promete precisa explicar como fará.
Quem governou precisa prestar contas.
Quem tem passado precisa responder pelo passado.
Quem apresenta proposta precisa explicar de onde virão os recursos.
Quem acusa precisa apresentar provas.
E quem vota precisa abandonar a ingenuidade.
Porque o Brasil não está condenado apenas pelos políticos ruins.
Um país também se condena quando seus cidadãos deixam de fiscalizar, deixam de participar e entregam seu voto sem exigir responsabilidade.
A urna não é lixeira.
O voto não é mercadoria.
A democracia não é torcida organizada.
E político não é dono do eleitor.
A CONVOCAÇÃO.
Aos milhões que votaram em Lula: não durmam em berço eleitoral.
Aos milhões que não foram votar: não desistam do Brasil.
Aos que estão decepcionados com a política: não entreguem seu futuro àqueles que comparecerem enquanto vocês permanecerem em casa.
E aos eleitores de todos os lados:
investiguem antes de votar.
Não escolham pelo ódio.
Não escolham pela mentira.
Não escolham pela promessa impossível.
Não escolham porque alguém mandou.
Não escolham porque sua bolha digital repetiu mil vezes a mesma narrativa.
Escolham com consciência.
O segundo turno será decidido pelo eleitor.
E, depois dele, ninguém poderá dizer que não sabia que a escolha teria consequências.
O Brasil está diante do espelho.
Agora é hora de olhar para esse espelho sem medo, sem paixão cega e sem passar pano para ninguém.
Porque, no final, a pergunta não será apenas quem venceu a eleição.
A pergunta será:
que tipo de país nós, brasileiros, decidimos ser.
VOTO NÃO TEM PREÇO, TEM CONSEQUÊNCIAS NÃO SE ABSTENHA,NÃO VOTE NULO, LUTE PELA DEMOCRACIA,TENHA RESPEITO POR VC MESMO, SEJA CRISTÃO DE VERDADE INCOMODE , NÃO SE ABSTENHA DA LUTA, FAÇA A SUA PARTE.
ANTONIO FERNANDO DA SILVA
(FERNANDO CPI)
JORNALISTA.
REGISTRO PROFISSIONAL DE JORNALISTA Nº 0002099/MTE/BRASIL.
PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS JORNALISTAS INDEPENDENTES DO ESTADO DE ALAGOAS.
